Blast from the Past

Expecto Patronum! Relembre as lutas contra os dementadores em Harry Potter and the Prisoner of Azkaban (PS2)

A Electronic Arts já havia tirado uma boa prova de todo o sucesso de Harry Potter com a adaptação para os videogames das duas primeiras a... (por Gabriel Gonçalves em 09/01/2014, via PlayStation Blast)

A Electronic Arts já havia tirado uma boa prova de todo o sucesso de Harry Potter com a adaptação para os videogames das duas primeiras aventuras do jovem bruxo (The Sorcerer's Stone e The Chamber of Secrets). Em 2004, a Warner Bros. finalmente lança o longa metragem baseado no terceiro livro da série de J.K Rowling - Harry Potter and the Prisoner of Azkaban, conhecido aqui no Brasil como Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban. E a EA, mais uma vez, aproveita o momento e lança o terceiro jogo da franquia.


Com uma jogabilidade bem diferente à promovida por seus antecessores originais, lançados no PlayStation, Harry Potter and the Prisoner of Azkaban é lançado para o PS2 em plena sexta geração. Apesar de algumas falhas, o game se mostra sólido e extremamente fiel à história do livro e do filme, com uma jogabilidade intuitiva, honrando o nome que “Harry Potter” traz consigo.

Um é pouco, dois é bom, três é demais

Os dois primeiros games do bruxinho inglês foram lançados para uma infinidade de plataformas, incluindo o PlayStation 2. A grande diferença deles com suas versões originais, lançadas no PlayStation, era o estilo de jogabilidade. Quem havia jogado The Legend of Zelda se familiarizava facilmente, já que um esquema muito parecido era adotado. Durante as aulas, passavamos pelos Challenges, fases parecidas com as Dungeons da franquia lendária da Nintendo, nos quais tínhamos que recuperar um livro de feitiço para aprender um encantamento, resolvíamos alguns puzzles e derrotávamos alguns inimigos. Mesmo que mais complexo, as versões da sexta geração dos dois jogos ficaram na sombra das versões para PC e PlayStation, já que na época em que foram lançados eram pouquíssimos os que tinham um console novo.


A história com o terceiro jogo foi outra. Com a quinta geração já posta para trás, a EA não viu necessidade de lançar uma versão para ela. Ou seja, a geração seguinte recebeu todo o cuidado da empresa. Prisoner of Azkaban seguia um esquema semelhante às versões de PS2, GameCube e Xbox dos dois primeiros jogos, mas com algumas diferenças substanciais.

A primeira delas era a possibilidade de jogar não só como Harry, mas também na pele de seus dois melhores amigos, Ron Weasley e Hermione Granger. Cada personagem tinha seus atributos únicos. Harry era melhor em feitiços de combate, além de ser o único que sabia pular longas distâncias. Hermione, por outro lado, sabia vários feitiços úteis para as resoluções de puzzles, como Reparo, que servia para consertar plataformas e objetos quebrados. Já controlando Ron, conseguíamos visualizar itens ocultos e passagens secretas que passavam imperceptíveis aos nossos olhos quando jogávamos com seus outros dois amigos.

A sempre estudiosa Hermione
Cada um dos estudantes aprendia feitiços diferentes, com propostas diferentes. Em várias partes do game, tínhamos de usar as habilidades de cada um deles em conjunto para resolver diversos puzzles. Por essa razão, o game possuiu os enigmas mais inteligentes e complexos de toda a franquia, daqueles que realmente precisávamos analisar o cenário antes de tentar resolvê-lo.

Ainda assim, Prisoner of Azkaban trazia um bom foco na ação, com uma boa variedade de inimigos e chefes. Os momentos finais do game eram onde os puzzles davam mais espaço para um combate mais frenético e cheio de inimigos, em especial os terríveis dementadores. Apenas Harry podia derrotá-los, usando o seu famoso feitiço Expecto Patronum.


Falando em encantamentos, a mecânica de seu uso também recebeu algumas mudanças. Pela primeira vez na série, diversas magias requeriam que o jogador não soubessem apenas onde usá-las, mas como controlá-las. Até então, tudo o que era necessário nos jogos de Potter era encontrar um objeto para lançar o feitiço e deixá-lo agir. Desta vez, tínhamos que controlar o fluxo do encantamento. Por exemplo, para lançar o feitiço Carpe Retractum, que funcionava como um Hookshot da série Zelda, tínhamos que estabelecer a magia, puxar o analógico para baixo e então soltá-lo, como se fosse o elástico de um estilingue. Pode parecer uma coisa boba, mas deixava o game com ares renovados. Por causa disso,  o mesmo feitiço poderia servir utilidades diferentes.

Talvez a única queixa contra a jogabilidade seja o fato de não haver um modo multiplayer. O fato de podermos controlar três personagens ao invés de um tornava o jogo perfeito para curtir com um amigo, já que na maior parte do tempo nenhum personagem fica sozinho. Ficou até parecendo que a EA desenvolveu o jogo tendo em mente o multiplayer, mas no final se esqueceu disso.


Hogwarts como nunca antes vista

Em Prisoner of Azkaban, tínhamos uma Hogwarts gigantesca para explorar, com várias salas, itens colecionáveis e segredos. O game contou com a maior área do castelo "explorável" até então. Após terminar a campanha principal, podíamos andar pelas redondezas da propriedade, tentando encontrar o que quer que tivéssemos perdido.

A história segue o enredo do livro. Harry Potter volta para seu terceiro ano na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts e descobre que Sirius Black, um perigoso assassino, fugiu da prisão dos bruxos Azkaban. E o pior, tudo indica que o objetivo do criminoso é achar e matar Harry. Quem já havia lido o livro ou visto o filme não se via surpreendido pelo desenrolar da trama principal, que era extremamente fiel a eles.

O medo de Harry dos dementadores foi bem explorado no jogo.
Os gráficos tiveram uma considerável melhoria em relação aos seus antecessores. Os modelos dos personagens também foram redesenhados para que parecessem mais velhos. Os cenários eram bem construídos, e houve uma atenção especial aos detalhes. As inscrições nos quadros das salas de aula, as pinturas "vivas" nas paredes e até os livros voadores ajudavam o jogador a imergir no mundo proposto pelo game.

O som era um ponto alto do jogo. A Warner Bros. não licenciou a trilha sonora dos filmes para serem usadas, e isso fez com que a EA tivesse que criar suas próprias composições.  Algumas faixas foram recicladas de jogos anteriores, mas Prisoner of Azkaban contou com suas próprias e belíssimas músicas compostas por Jeremy Soule, que posteriormente também seria o compositor da trilha sonora de Skyrim. Quanto à dublagem, as vozes dos personagens principais captavam toda a sua essência. Era simplesmente impossível não sorrir, por exemplo, ao ouvir Hermione falar daquele jeito sabe-tudo dela. A versão para PC até chegou a receber uma dublagem em português brasileiro, mas os consoles não tiveram esse mesmo tratamento. Uma pena.

Os dementadores estão chegando…

Harry Potter and the Prisoner of Azkaban foi o último jogo da série a ser desenvolvido pela Electronic Arts em conjunto com a Griptonite Games, estúdio que também participou do desenvolvimento dos jogos Assassin's Creed e Age of Empires. Muitos fãs também o consideram como o último game decente da franquia, embora essa opinião não seja unânime.

Seguindo os parâmetros estabelecidos pelos títulos anteriores e adicionando novidades, o terceiro jogo é, de longe, uma das mais completas leituras do universo do bruxo míope. Ele provou também que adaptações de filmes e livros para os consoles podem sim, ser bem feitas – basta trabalho, dedicação e atenção aos detalhes. Prisoner of Azkaban não é um game perfeito, mas cumpre muito bem sua promessa. E quem estiver com saudades de Hogwarts pode simplesmente ligar seu PlayStation 2 agora e se aventurar pela escola com Harry, Rony e Hermione a qualquer momento.



Revisão: Jaime Ninice
Capa: Daniel Silva
Gabriel Gonçalves é estudante do Ensino Médio e joga videogames desde que ganhou seu primeiro console aos 5 anos de idade. Quando não está jogando algum jogo de terror qualquer ou entrando em hype para um novo Zelda, normalmente está dando uma olhada no Facebook.

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