Blast from the Past

Crisis Core: Final Fantasy VII (PSP) nos ensinou o que é preciso para ser um herói

Prequela de Final Fantasy VII fez bonito no PSP e acertou em cheio na escolha do protagonista.


Quem se lembra do Compilation of Final Fantasy VII? O projeto foi criado pela Square Enix em 2002 e visava complementar a história do querido jogo de PlayStation por meio de novos games, filmes e até animações. Foi neste contexto que surgiu Crisis Core: Final Fantasy VII, game que estreou no Japão em 2007, época em que a sétima edição da franquia completava dez anos. Inicialmente, o novo título foi recebido com certa desconfiança, já que era difícil de acreditar que uma prequela pudesse fazer jus a um dos jogos mais consagrados da série. Felizmente, para o alívio de muitos fãs, a Square Enix conseguiu tornar Crisis Core um jogo capaz de agradar a todos, mesmo pecando em alguns pontos.

Ninguém nasce herói

O game se passa sete anos antes dos eventos que ocorreram no jogo principal, colocando-nos na pele de Zack Fair, um membro do grupo militar SOLDIER que trabalha para a ShinRa, companhia elétrica responsável por abastecer a cidade de Midgar. No início, o protagonista tem um único objetivo: alcançar o posto mais alto de sua profissão, tornando-se assim um SOLDIER 1st Class. Para isso, o rapaz conta com a ajuda e apoio de seu mentor, Angeal. Este sonho, porém, é deixado em segundo plano quando começam a ocorrer eventos estranhos envolvendo Angeal e Genesis, outro SOLDIER 1st class. 

O enredo pode parecer bastante simples à primeira vista, mas torna-se mais complexo conforme o game progride e, nesse primeiro momento, basta para aguçar a curiosidade do jogador. A começar pelo protagonista, que, apesar de ser apresentado em Final Fantasy VII como sendo um grande amigo de Cloud, tinha sua origem, sua história e sua importância envoltas em mistério. Quem realmente foi Zack? Como se iniciou a amizade entre ele e Cloud? Como surgiu a Buster Sword? Crisis Core veio justamente para responder estas perguntas (e criar outras), e o faz com maestria ao contar a história do personagem de maneira rápida, mas profunda. No início, vemos um rapaz imaturo e pouco habilidoso, que é levado ao amadurecimento após enfrentar diversas situações no decorrer do game. É muito interessante acompanhar o crescimento de Zack e sua jornada para se tornar um herói, sendo impossível não criar empatia e se preocupar com o personagem.
O início da amizade entre Cloud e Zack.
E engana-se quem pensa que a história só pode ser aproveitada pelos fãs. O jogo de PSP, apesar de ter relação com o título principal, é perfeitamente acessível para qualquer um que queira se aventurar por Midgar pela primeira vez. Por outro lado, os novatos acabarão perdendo algumas referências muito bacanas, como a menção ao bar 7th Heaven e a clássica cena de Sephiroth em Nibelheim, além da aparição de personagens importantes do jogo de PlayStation, como Tifa, Aerith e até Yuffie. Isso sem contar, é claro, o misto de surpresa e nostalgia que o game traz enquanto percorremos uma Midgar ainda em construção, andamos pelo prédio da ShinRa ou visitamos Nibelheim.

Mas é claro que revisitar o mundo de Final Fantasy VII não seria tão divertido sem uma ajudinha dos gráficos. Crisis Core tem um dos melhores gráficos já vistos no PSP e isso se aplica tanto aos personagens, que possuem belas expressões faciais, quanto aos cenários e cutscenes. As cenas em CG são um show à parte e chegam a impressionar, como já é de praxe na franquia. 
É difícil não se surpreender com esse visual.

Oito ou oitenta

Já a jogabilidade acabou sendo o ponto mais controverso do título e o maior divisor de opiniões por diversos motivos. Um deles é o sistema de batalha, que sofreu algumas modificações significativas em relação aos games anteriores da franquia. Possuindo alguns elementos bastante semelhantes ao que já vimos em títulos como Kingdom Hearts, Crisis Core conta com encontros aleatórios de inimigos (sem transição de tela), mas agora há a possibilidade de movimentar Zack livremente utilizando o analógico do portátil. O sistema de turnos tradicional foi abandonado para dar lugar a um esquema mais dinâmico, já que os turnos funcionam de maneira mais rápida do que estamos acostumados, criando uma sensação de combate em tempo real. Para atacar os inimigos, o jogador tem à sua disposição um pequeno menu no canto da tela que o permite escolher entre ataques físicos, magias e itens. Não pense, porém, que esse novo sistema veio para facilitar as nossas vidas: a habilidade aqui continuará sendo necessária, tanto pela estratégia no uso das matérias (que aqui servem como magias ou status que podem ser equipados, mas que são limitadas), quanto pela destreza do jogador, pois é essencial ter bons reflexos para desviar de ataques durante as batalhas.
Atacar os inimigos pelas costas causa mais danos.
Um dos maiores problemas de Crisis Core, porém, é o DMW (Digital Mind Wave), um sistema com imagens e números que se assemelha à uma máquina caça-níqueis. Uma roleta gira constantemente durante as batalhas, e a ocorrência de uma certa combinação de números ou de imagens iguais possibilita usar um Limit Break, um summon ou até mesmo a passagem de nível de Zack no meio das lutas. Por exemplo: a combinação de três números específicos, independente das imagens que forem sorteadas, garante ao personagem status especiais durante alguns segundos, como invencibilidade, proteção contra ataques físicos, etc. Por outro lado, poderemos usar um Limit Break ao obtermos três imagens de Sephiroth, independentemente dos números que vierem. 
As memórias de Zack influenciam no DMW.
Esse esquema acaba atrapalhando mais do que ajudando, já que faz dos Limit Breaks e dos summons elementos totalmente aleatórios nas batalhas, limitando bastante a participação do jogador ao exigir nada além de sorte. Durante as minhas jogatinas, por exemplo, o jogo teimava em sortear summons durante as lutas contra inimigos mais fracos; em contrapartida, cheguei a enfrentar alguns chefes sem ter utilizado um sequer. Outro problema é o fato do DMW quebrar totalmente o ritmo do jogo, interrompendo as batalhas para mostrar cutscenes relativamente longas e que não podem ser puladas. Isso acaba tornando o game cansativo, principalmente caso o jogador seja o tipo de pessoa que gosta de jogar continuamente por muitas horas.

Em compensação, evoluir o personagem não é algo que acontece de forma totalmente aleatória, como muitos imaginavam na época em que Crisis Core foi lançado. O jogo possui um contador de experiência como todos os RPGs tradicionais, mas aqui ele não pode ser visualizado. Assim, quando você atinge a quantia necessária para evoluir, o DMW pode sortear o novo nível a qualquer momento. De fato continua não sendo o sistema de evolução ideal, mas também não é algo que interfira no andamento do jogo.
Acredite, não é tão ruim quanto parece.
Na parte da exploração, o game acaba pecando um pouco na linearidade. Sabemos que o PSP tem suas limitações e que seria difícil reproduzir em Crisis Core exatamente o que já vimos em outros Final Fantasy, mas quem está acostumado aos grandes world-maps dos títulos anteriores pode acabar se decepcionando um pouco. O mesmo vale para as missões extras, que geralmente ficam disponíveis nos save points. Apesar de serem essenciais por renderem prêmios importantes, como novas matérias (incluindo summons), dinheiro e experiência, elas não variam muito e se limitam a participar de algumas lutas e chegar a um lugar específico. A exceção fica por conta dos chefes opcionais – experimente desafiar Minerva, que possui (pasmem) 10,000,000 de HP no modo Normal.

Um legítimo Final Fantasy

Por último, mas não menos importante, Crisis Core não seria um Final Fantasy se não tivesse uma boa trilha sonora. O game possui algumas músicas próprias que variam bastante entre memoráveis (como Under the Apple Tree) e esquecíveis, como Encounter, que ocorre durante as lutas. O jogo conta também com excelentes versões remixadas das canções clássicas de Final Fantasy VII, como o tema de batalha On the Verge of Assault. As dublagens também não ficam atrás e são muito competentes, gerando uma imersão ainda maior.

Apesar de seus problemas, Crisis Core: Final Fantasy VII é um game indispensável para qualquer fã de RPGs em geral e se destaca ao trazer novos ares à franquia, expandindo o universo do sétimo jogo com um conteúdo muito interessante. Com o remake de Final Fantasy VII chegando em breve, você tem mais um motivo para conhecer a história de um jovem que precisou correr atrás de seus sonhos e de sua honra para se tornar um herói. 

Revisão: Bruno Alves
Capa: Esdras Ferreira
July Dourado é aspirante a jornalista e redatora no PlayStation Blast. Sua paixão por games começou com o Nintendo 64 e só tem crescido desde então. Além dos games, também é viciada em séries de TV e gatos.

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