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PlayStation Classic: porque o console não alcançou um grande sucesso?

Vamos discutir sobre quais seriam as razões por trás da sua baixa receptividade.

Após os sucessos do Nintendo Classic Mini e do Super Nintendo Classic, muitos jogadores começaram a especular qual seria o próximo videogame de peso a receber uma nova versão. Tentando embarcar nesta onda de nostalgia, a Sony lançou o console PlayStation Classic buscando atrair os fãs do primeiro videogame da empresa. Entretanto, ao contrário dos concorrentes da Nintendo, o dispositivo não foi tão bem recebido. E quais seriam as razões disso? Nesta matéria, vamos discutir algumas possibilidades por trás dessa quase decepção no mundo dos games.

Um resumo da história

Anunciado em setembro de 2018 no evento Tokyo Game Show, o PlayStation Classic prometeu trazer para os fãs do saudoso PlayStation uma nova forma de curtir os seus grandes clássicos. E ao olhar para os exemplos de sucesso como as versões Classic do SNES e do NES, a expectativa dos gamers aumentava ainda mais. Mas desde o início alguns pontos do console deixaram dúvidas sobre a sua qualidade.
Exposição do novo console no Tokyo Game Show
Por que o valor de lançamento tão alto (99 dólares)? Os controles sem palancas analógicas seriam a única opção? Quais seriam os 20 jogos disponíveis no aparelho? Inicialmente, foram confirmados cinco títulos: Final Fantasy VII (PC/PS), Jumping Flash! (PS), Ridge Racer Type 4 (PS), Tekken 3 (Arcade/PS) e Wild Arms (PS). Embora nem todos os nomes fossem universalmente conhecidos, todos foram ótimos games do PlayStation. Quanto aos joysticks, vale lembrar que os jogos em três dimensões foram os grandes atrativos do PS, sendo na maioria das vezes melhor aproveitados com os analógicos.

Embora não tenha causado um grande descontentamento, o valor inicial do console foi considerado relativamente alto. Mesmo sendo bastante famoso, é difícil comparar o saudosismo e a base de fãs dos consoles da Nintendo com o PlayStation. Afinal, os clientes de carteirinha da empresa do Mario estão acostumados a pagar valores mais altos pela qualidade oferecida. Mesmo com todos estes pontos, a comunidade aguardou com esperança o “novo velho” console.

Lançado em dezembro de 2018, o PlayStation Classic não teve o impacto desejado pela empresa. Boa parte das críticas se concentraram nos elementos que falamos anteriormente, apontados como as maiores razões do console ter tido vendas apenas medianas. Ao contrário dos rivais da Nintendo, que se esgotaram rapidamente e levaram a empresa a fazer novas remessas.
O SNES Classic trouxe até um título inédito: Star Fox 2
O console recebeu sucessivos cortes de preço, hoje estando na casa dos 50 dólares. Mas basta ficar atento às promoções, pois é possível encontrá-lo por até 39,99 dólares. Mesmo com a conhecida alta carga de impostos brasileira, estes descontos chegaram até mesmo aos vendedores aqui do nosso país. Alguns sites, inclusive, fizeram matérias mostrando aos jogadores maneiras alternativas de comprar os games do console, salientando a baixa popularidade do PlayStation Classic.

Mas qual seria a maior razão pela baixa receptividade?

Agora que contextualizamos a situação do PlayStation Classic, vamos à parte central desta matéria: qual seria a principal razão do insucesso do console? Quatro quesitos principais serão abordados aqui, baseado nas principais críticas e avaliações do dispositivo. Para começar, vamos falar um pouco do preço. Para as suas características, o valor foi considerado alto desde o começo.
Dentre as suas características, o console é 45% menor que o original
Sua construção simples, tanto em hardware e software (como veremos na sequência), não condizia com o preço cobrado. Tanto é que os sucessivos descontos comprovam a supervalorização por parte da Sony. Entretanto, produtos caros não são incomuns na indústria dos games. A questão é a palavra chave por trás deles: “qualidade”. E os próximos itens mostram que ela não teve o devido tratamento neste caso.

O segundo quesito é o software e a interface do dispositivo. Embora já se suspeitasse que ela não seria boa, foi apenas quando o console foi lançado e começou a ser jogado que a questão ganhou força. Como o console não utiliza mídias externas, ter menus bonitos e um sistema funcional seria muito importante. Mas a ausência de customizações na emulação dos games e os visuais simplistas e estáticos foram bastante criticados.
Para uma versão especial, o PlayStation Classic poderia ter recebido menus mais caprichados
Para quem não sabe, o PlayStation Classic utiliza como sistema uma versão do emulador de código aberto chamado PCSX. Sem grandes inovações (alguns jogos bem “poligonais” poderiam ter recebido um filtro suavizador, por exemplo), era de se esperar que o software do console não seria um expoente. Mesmo que os já citados Nintendo e Super Nintendo Classic não tivessem menus incríveis, o esmero da empresa do Mario estava presente. O que não foi o caso do console Classic da Sony, que teve uma qualidade de software apenas mediana.

Quanto ao quesito hardware, também temos um conjunto mediano. Embora bonito e bem acabado, os controles sem analógico e a ausência do charmoso Memory Card acabaram prejudicando a qualidade do dispositivo. A importância das palancas na história dos consoles PlayStation, cujos joysticks já receberam uma matéria aqui no site, não podia ter sido desprezada, sobretudo em jogos com grande apelo tridimensional. Certos títulos são bastante difíceis de serem aproveitados sem elas. E embora a versão virtual do Memory Card seja suficiente, na minha opinião seria legal ter este periférico extra.
Fosse o Dual Analog (esquerda, sem vibração) ou o DualShock, o console podia ter recebido um controle com analógicos
Finalmente, chegamos ao quesito “jogos”. No final de outubro de 2018 a Sony liberou a lista completa de títulos do console, completando os que já haviam sido divulgados. E se a relação inicial já não foi uma unanimidade e deixou vários clássicos de fora, a completa foi um banho de água fria em muitos jogadores. São eles: Battle Arena Toshinden (Multi), Revelations: Persona (Multi), Intelligent Qube (PS), Metal Gear Solid (PC/PS), Super Puzzle Fighter II Turbo (Multi), Mr. Driller (Multi), Resident Evil: Director’s Cut (Multi), Rayman (Multi), Destruction Derby (Multi), Twisted Metal (Multi), Grand Theft Auto (Multi), Syphon Filter (Android/PS), Tom Clancy’s Rainbow Six (Mult), Cool Boarders 2 (PS) e Oddworld: Abe’s Oddysee (Multi) (alguns títulos foram alterados para uma pequena parte do globo).
A polêmica lista de jogos
Olhando para a relação de jogos, a lista de títulos do PlayStation Classic não chega a ser ruim. Títulos como Final Fantasy VII, Metal Gear Solid e Resident Evil são verdadeiros clássicos, e os demais são, até certo ponto, interessantes. O que torna a seleção do console fraca, na verdade, são os jogos deixados de fora. Alguns deles até já foram listados aqui no site.

Ao analisarmos o que poderia estar disponível, é bastante difícil não considerar este quesito como o maior defeito do PlayStation Classic. Quem não gostaria de jogar os originais da série Crash Bandicoot e Spyro? Ou então Tony Hawk’s Pro Skater 2 (Multi), Chrono Cross (PS), Castlevania: Symphony of the Night (Multi) e Tomb Raider (Multi)? Mesmo se todos os defeitos anteriores fossem resolvidos, a seleção fraca ainda seria muito citada.
É difícil pensar em PlayStation e não pensar neste game
Mas o inverso não seria verdadeiro e por uma razão simples: o que faz um bom videogame é a qualidade dos seus títulos. Se o PlayStation Classic tivesse estes clássicos, quaisquer dos outros pontos fracos seriam relevados. E se compararmos a seleção de jogos com os já citados Nintendo Mini e Super Nintendo Classic, este problema só fica mais evidente. Ou seja, a principal causa da decepção por trás do console da Sony é a sua lista de games ter qualidade limitada.

A fatídica seleção de jogos

Com base em todos os argumentos e informações que levantamos até agora, a relação de títulos acaba sendo a principal razão pelo insucesso do PlayStation Classic. Mas ao fazermos esta consideração, uma pergunta lógica surge: quais seriam os potenciais motivos para que outros jogos de mais impacto tenham ficado de fora? Se este foi um fator tão determinante, por que a Sony não caprichou mais na sua lista?
Quem não lembra do famoso The 900?
Embora não tenhamos uma confirmação oficial de nenhuma delas, certamente podemos listar algumas razões muito fortes para a maioria das omissões. Uma delas é o licenciamento das músicas e outros elementos. Jogos das séries Tony Hawk e Gran Turismo tiveram grande destaque pelas suas trilhas sonoras e materiais licenciados da vida real. Logo, trazer estes títulos poderia gerar muita dor de cabeça em negociações para a empresa.
Sucesso no PS, a série Gran Turismo se consolidou no gênero de corrida
A necessidade de negociação de jogos produzidos por empresas terceiras também pode ser considerada como uma dificuldade. No caso dos consoles clássicos da Nintendo, esta dificuldade foi bastante reduzida, visto que a maioria dos grandes jogos foram produzidos por ela mesma. Já a Sony teve que negociar com várias produtoras e empresas para disponibilizar os títulos

Finalmente, um ponto que não pode ser negligenciado é a forte presença de remakes no mercado de games atual. Vários jogos antigos são frequentemente relançados, o que poderia comprometer o impacto (e gerar uma concorrência desnecessária) de trazer as suas versões originais através do PlayStation Classic. As séries originais de Crash Bandicoot e Spyro são bons exemplos, assim o recente Resident Evil 2 (Multi).

Nem tudo são espinhos

Agora que discutimos sobre o motivo do console não ser um sucesso, cabe aqui lembrar que ele está longe de ser um fracasso. Mesmo com uma procura modesta, o PlayStation Classic continua sendo uma opção interessante de compra. A qualidade do acabamento o torna um ótimo item para coleção e até mesmo para enfeitar a sua mobília. Isso sem contar que a lista de jogos, embora não seja excelente, é boa e obrigatória para os fãs de videogames.
O PS Classic tem sim boas qualidades
Certamente este aparelho é uma das formas mais acessíveis para que os jogadores possam desfrutar de alguns dos títulos. Afinal, não é em todo lugar que encontramos um PS original para jogar clássicos como Final Fantasy VII, Resident Evil e Twisted Metal. Alguns títulos, inclusive, nunca foram trazidos para novas plataformas. A descoberta de que o dispositivo pode ser facilmente hackeado (e assim receber outros jogos) também pode acabar sendo um atrativo para uma parte da comunidade gamer (sobretudo a indignada pela relação limitada de jogos).

Para fãs do console e colecionadores

O PlayStation Classic chegou no embalo dos consoles da Nintendo que tinham proposta de relançar um dispositivo clássico. Infelizmente, a Sony não conseguiu alcançar o mesmo sucesso da concorrente. Se itens como preço, controles sem analógicos e interface simples já seriam fatores negativos, a coletânea de jogos parece ter realmente decretado o insucesso do videogame. Mesmo assim, ele ainda segue como uma opção interessante para amantes do saudoso PlayStation e colecionadores da décima arte.
Apesar dos seus defeitos, o PlayStation Classic ainda é um bom videogame
E então, leitor? Concorda que o PlayStation Classic deixou a desejar? O que poderia ter sido feito de forma diferente? Deixe sua opinião.
Revisão: Raphael Barbosa
Matheus Senna de Oliveira é um grande fã da décima arte, embora ultimamente não tenha tido muito tempo disponível para ela. Seus games favoritos (que formam uma longa lista) incluem: Kingdom Hearts, Guitar Hero, Zelda, Crash, FIFA, COD, Pokémon, MvC, Yu-Gi-Oh, Resident Evil, Bayonetta, Persona, Burnout e Ratchet & Clank. Caso tu tenhas gostado da matéria que ele escreveu, é possível encontrar mais algumas no blog dele.

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