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Prévia: Beyond: Two Souls (PS3) quer levar a narrativa nos videogames muito além

Fale o nome de David Cage e você provavelmente vai acabar ouvindo as mais diversas opiniões. Há quem o considere um gênero visionário, mas... (por Thomas Schulze em 30/09/2013, via PlayStation Blast)

Fale o nome de David Cage e você provavelmente vai acabar ouvindo as mais diversas opiniões. Há quem o considere um gênero visionário, mas também quem o veja como um pretensioso sem talento. Independente do que você pensa, uma coisa é certa: seu novo jogo, Beyond: Two Souls, está prestes a ser lançado e, de uma forma ou de outra, todos vão acabar falando sobre esse que deve ser um dos últimos blockbusters do PlayStation 3. Esse mês todos os holofotes estarão sobre David e seu mais novo projeto, e ele está amando isso.

A paixão de David Cage

Pense o que quiser de David, o fato é que o homem gosta muito de falar sobre seus projetos. Dá até para argumentar que ele gosta de desenvolver seus games tanto quanto gosta de falar sobre eles. Seus olhos brilham e seu discurso fica inflamado sempre que surge uma oportunidade para discursar sobre suas ideias. A primeira vez que ouvimos falar sobre Beyond foi na conferência da Sony na Electronic Entertainment Expo de 2012. Desde então, de tempos em tempos, David vai a público anunciar o quanto está orgulhoso dos avanços tecnológicos de seu jogo e sobre como o futuro da indústria depende da aproximação entre os videogames e a indústria cinematográfica.

Cage é famoso por seus jogos, mas também por seus discursos apaixonados.


Se você de algum modo conseguiu escapar de todos os anúncios e palestras ministrados por David Cage, ou se simplesmente seguiu o exemplo do pobre Shuhei Yoshida - que protagonizou o vídeo mais engraçado do ano ao pegar no sono em uma mesa redonda da Sony ao ouvir David Cage falando sobre tecnologia -, saiba que Beyond será mais um jogo de drama interativo da desenvolvedora Quantic Dream, escrito e dirigido pelo próprio David. Seu jogo anterior, Heavy Rain, mesmo não sendo uma unanimidade graças a sua jogabilidade um tanto travada, teve considerável sucesso em sua busca pela fusão entre cinema e videogames e acabou se tornando um dos maiores clássicos do PlayStation 3.

Aproximando cinema e videogames

Se você ainda tem dúvidas sobre a vontade de David e da Quantic Dreams de aproximar Beyond de um filme, vamos a alguns dados impressionantes: para começo de conversa, o roteiro de Beyond conta com mais de duas mil páginas, o que o torna facilmente o roteiro mais extenso já feito para um jogo de videogame. Mas o que isso quer dizer na prática? É a promessa de uma narrativa rica, extensa e detalhada capaz de rivalizar com qualquer blockbuster hollywoodiano.

Beyond mais parece uma sequência espiritual de Heavy Rain


Em abril deste ano um impressionante trailer com mais de meia hora de jogo foi revelado no Tribeca Film Festival com direito à presença de David Cage e parte do elenco. Essa foi apenas a segunda vez que um videogame foi reconhecido por um festival de cinema (a primeira foi em 2011, com o ótimo L.A. Noire). Aliás, o compositor vencedor do Oscar Hans Zimmer participa da trilha sonora de Beyond como produtor. E pensar que ainda tem gente que ainda não acha que os videogames possam ser considerados uma forma de arte…

Uma história de outro mundo

Beoynd contará a história de Jodie Holmes, interpretada, como você já leu em absolutamente todos os lugares imagináveis, pela atriz Ellen “é a Juno, mas mais parece a Ellie do Last of Us” Page. O jogo cobrirá quinze anos da vida de Jodie, uma menina muito especial que desde a infância é a única pessoa no mundo que consegue enxergar uma entidade sobrenatural conhecida como Aiden. Jodie e Aiden possuem uma ligação muito forte, e conforme descobrimos os reais motivos por trás dela, a narrativa se expande e tenta desvendar grandes questões sobre a vida e o que acontece depois da morte.

Não se confunda, essa não é a Ellen Page! Essa foto da Ellie está aqui só para ver se você estava prestando atenção...


Para ajudar a contar a história com a maior riqueza possível, os gráficos de Beyond estão simplesmente fenomenais e proporcionam facilmente o melhor visual que você verá em toda a biblioteca de jogos do PlayStation 3. A atenção com cada pequeno detalhe é assustadora e, para um jogo que depende tanto de acreditarmos no mundo para ficarmos imersos no roteiro, tudo parece perfeito. A captura dos movimentos e feições de Ellen Page e Willem Defoe é fenomenal e leva até alguns segundos para você perceber que não está encarando os atores de verdade, mas sim suas versões digitais.



A eterna polêmica sobre a jogabilidade

No geral, embora a jogabilidade dê significativos passos para a frente em relação a Heavy Rain, fica a impressão de que ainda não teremos tanta liberdade quanto gostaríamos. Ou seja, ainda há centenas de quick time events pipocando na tela de tempos em tempos, o que acaba tornando os controles muito menos imersivos e mais travados. Não é algo que atrapalhe drasticamente a experiência, mas era de se esperar um pouco mais de balanceamento na jogabilidade nesse fim de vida do PlayStation 3.



Quando controlamos a entidade Aiden as coisas mudam um pouco de figura e podemos flutuar por todo o cenário (não muito longe, é verdade, mas é melhor do que nada), interagindo com praticamente tudo no mundo e solucionando situações com as menores atitudes, como explodir xícaras de café para distrair alguém ou até pegar uma revistinha para assustar os outros. Além disso, Aiden pode possuir as pessoas que estejam cercadas por auras laranjas e até mesmo proteger Jodie se transformando em um escudo. Ah, assim como em Heavy Rain, Beyond terá suporte a jogatina com PlayStation Move, para a alegria das cinco pessoas no mundo que acreditaram no potencial do periférico.

Na maior parte do tempo poderemos controlar Jodie e Aiden quando bem entendermos apertando triângulo no controle, o que permite que as situações quase sempre possam ser resolvidas de vários modos diferentes. Na verdade, o próprio David Cage já afirmou que, tal qual Heavy Rain, o modo como você resolverá as situações terá um impacto determinante no desenrolar da história, o que acaba sendo um belo incentivo para jogar várias vezes as mesmas fases.

Calminha Ellen, prometemos parar de te comparar com
a Ellie do Last of Us, abaixa essa arma, vai...

A estrada vai além do que se vê

Se você não gostou da proposta de Heavy Rain, achou seus controles muito travados ou simplesmente não acha que videogames sejam a melhor forma de contar uma história, Beyond: Two Souls ainda não deve ser o jogo que vai fazer você se apaixonar por dramas interativos. Agora se você, assim como eu, acha Heavy Rain um dos jogos mais fascinantes da geração e o jogou várias vezes só para descobrir todas as possibilidades dessa narrativa riquíssima, então Beyond tem tudo para ser o seu jogo favorito do ano.



Afinal, o nome do jogo não diz respeito tão somente ao fato de termos duas almas conectadas, sendo que uma delas está em uma dimensão além da que conseguimos perceber. Quando o game fala em ir além, talvez as coisas sejam um pouco menos literais, pois o verdadeiro além de Beyond é bravamente tentar expandir as fronteiras de nossa percepção, mostrando que os videogames podem ser muito mais que jogos de tiro em primeira pessoa ou plataformas com mascotes. Daqui a pouco vamos ter o jogo em mãos e, tendo sucesso ou fracassando, as ideias de David Cage mais uma vez estarão sob os holofotes.

Beyond: Two Souls (PS3)
Desenvolvimento: Quantic Dream
Gênero: Drama Interativo
Lançamento: 08 de outubro de 2013
Expectativa: 4/5


Revisão: Vitor Tibério
Capa: Daniel Silva
Thomas Schulze escreve para o PlayStation Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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