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Análise: Dengeki Bunko: Fighting Climax (PS3/PS Vita) traz pancadaria entre personagens populares de light novels

Game de luta em 2D da Sega traz combos, especiais, personalizações e extras para tentar prender o jogador, mesmo aqueles que não são otakus.

Gênero popular no Japão, as Light Novels são responsáveis por personagens carismáticos e memoráveis. Mesmo quem não é fã, provavelmente já ouviu falar em Sword Art Online ou Valkyria Chronicles. Dengeki Bunko: Fighting Climax coloca diversos protagonistas das histórias japonesas frente a frente para saírem na mão. Aqui não tem essa história de homem não bater em mulher: ou você desce a pancada ou é derrotado.


O game traz lutas em 2D com visual e cenários desenhados como nas novelas japonesas. Fighting Climax foi originalmente lançado pela Sega em março de 2014 no Japão, mas só chegou ao Ocidente no segundo semestre de 2015. Nos últimos meses, a empresa tem buscado trazer diversos títulos nipônicos para a América, como uma forma de se aproximar dos admiradores da cultura japonesa.

Parceria de sucesso

Dengeki Bunko é o nome de uma editora japonesa especializada em romances com ilustrações, popularmente chamadas de Light Novels. Fighting Climax é um jogo de luta idealizado para comemorar o 20º aniversário da Dengeki Bunko.

Este é o segundo projeto conduzido em parceria com a Sega. O antecessor, Sega Hard Girls, foi uma série de light novel que transformava os consoles da empresa em garotas (!). Cada videogame-mulher tinha características e personalidades próprias. Sega Hard Girls chegou a ser adaptado para um anime de TV, produzido pela TMS Entertainment, e exibido entre outubro e dezembro de 2014 na Terra do Sol Nascente.


Um anime de luta

Mesmo quem não conhece Kirito, Shana, ou Enju Aihara vai se identificar com os lutadores. O visual estilo mangá, com o qual já estamos adaptados, ajuda a aproximar o público ocidental, mas é o modo de agir e falar de cada um fazem a diferença no game. São 14 personagens selecionáveis – a maioria são mulheres – e mais 23 assistentes. Quase todos possuem as vozes originais dos animes, em japonês, e legendas de tradução para o inglês.


Os assistentes não lutam diretamente, mas podem ser acionados para ajudar na execução de combos ou para ajudá-lo a fugir de um ataque inimigo. Eles só podem ser utilizados novamente após a barra de Assist ser enchida.

Além do carisma dos protagonistas da Dengeki Bunko, Fighting Climax apresenta dois personagens que farão muito marmanjo ter aquela sensação de saudosismo: Akira Yuki (lutador) e Pai Chan (assistente), da série Virtua Fighter. Vale destacar também os cenários temáticos inspirados em NiGHTS, Sonic the Hedgehog, Shinobi, Phantasy Star e diversos outros sucessos da Sega.

O gráfico em 2D merece destaque graças aos belos desenhos e excelentes sprites que não estouram na tela. As cores são vibrantes e cada personagem possui expressões faciais e corporais únicas. A estética de menus é bastante simplória, mas cumpre seu papel.

Jogabilidade frenética

A barra de especial, chamada aqui de Climax, também está presente e é preenchida conforme os golpes vão sendo desferidos no adversário. Quando estiver completamente cheia, é possível usar ataques ou esquivas especiais. Conseguindo level 2 ou maior, é possível utilizar um poderoso golpe que pode drenar bastante vida de quem os recebe chamado Climax Arts.


Como em todo bom game de luta, existem várias possibilidades de combos e golpes especiais. É possível movimentar-se lateralmente para frente e para trás e realizar até dois níveis de salto. São quatro tipos de ataques: fraco, médio, forte e assistente. Quem já jogou Marvel vs Capcom 3 (ou outros games da franquia Vs) vai se identificar com o tipo de jogabilidade acelerada oferecido por Dengeki Bunko: Fighting Climax.

Os golpes especiais são simples de se executar para os já familiarizados com a combinação “baixo, diagonal, frente e soco”. Todos os personagens possuem a mesma sequência de botões para desferir os golpes. Essa facilidade permite que novatos desfrutem do game, mas também abre possibilidades imensas para os mais viciados.

Modos de jogo J-Style

O principal modo é o single player, que aqui é chamado de Story Mode. Como o nome sugere, tentou-se criar uma espécie de história que interligasse os personagens das diversas light novels da Dengeki. O resultado é bem abaixo do esperado, já que as adaptações ao lutador escolhido são mínimas e pouco influenciam no desenrolar da trama. Isso dá a sensação de repetição constante e diminui bastante a vontade de jogar com todos os personagens.


Os desbloqueáveis são abundantes em Fighting Climax. Se você for um daqueles que só sossega quando consegue liberar 100% do game, então prepare-se para horas e horas de jogatina. Existem dezenas de opções de roupas para cada personagem, itens para configurar seu perfil (ícones, fundos de tela, títulos) e até autógrafos e vozes para serem adquiridos com a moeda virtual do jogo – acumulada a cada conclusão do modo Story. Teve uma luta épica? Tudo bem, é possível recuperá-la no modo Replay.

Como em muitos games japoneses, os modos de jogo são variados e nos remetem a meados da década de 1990, quando os modos Challenge e Versus eram as opções secundárias. O Challenge, por exemplo, é só um nome mais bonito para o velho conhecido Time Attack. Existe também um modo de treinamento no qual é possível aprender e testar golpes e combos.

Uma excelente adição é o Newtwork Mode, que permite disputas online via internet ou em multiplayer local via Ad Hoc. É possível levar a sério e escolher participar de partidas rankeadas ou somente uma troca de sopapos sem compromisso no modo "unranked". Infelizmente, os lags ocorrem com bastante frequência e acabam atrapalhando a experiência. Em um estilo que exige reflexo rápido, jogar com travadas e quedas de conexão é imperdoável.


Para um público restrito

Apesar da mecânica sólida e bem fluida, é obvio que Dengeki Bunko: Fighting Climax não vai se tornar uma febre ou invadir os campeonatos mundiais de games de luta, como Street Fighter e Mortal Kombat fazem.

Ele parece ter sido feito para um nicho bem específico de jogadores: amantes de mangá/anime que gostam de jogo de luta e são fãs dos personagens. Prova disso é a infinidade de conteúdos pouco úteis, mas que dão um toque especial no visual dos lutadores. Os comandos funcionam bem, não existe queda de frames e os comandos são iguais para todos os personagens. 

Existe, ainda, suporte à funcionalidade cross-save, que permite o compartilhamento de jogos entre plataformas. Você pode começar a jogatina no PS3 e finalizá-la no seu Vita enquanto pega o ônibus de volta para casa.

O game só peca pela falta de inovações, o que o deixa com cara de "jogo da década de 90". Mesmo assim, é uma boa pedida porque cumpre bem o papel de divertir.

Prós

- Grafícos 2D bonitos
- Jogabilidade fluida e simples
- Modo online
- Muitas opções de customização

Contras

- Personagens desconhecidos do grande público
- Esquema de comandos idêntico para todos os personagens
- Falta de inovação na mecânica
- Sem utilização dos recursos do Vita

Dengeki Bunko: Fighting Climax – PS3/PSVita — Nota: 7.0
Revisão: Alberto Canen
Alveni Lisboa escreve para o PlayStation Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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