Bloodborne (PS4): entendendo a história — Parte 2

Na segunda matéria da série, falaremos sobre Old Yharnam, caçadores, os estudiosos de Byrgenwerth e os Great Ones.

Semana passada iniciamos uma série pra discutir e entender a história de Bloodborne. Como falei na primeira parte, a ideia é ir passando pelos momentos do jogo e deles reconstruir os acontecimentos de Yharnam. Já contamos um pouco do início do game, da triste história de Father Gascoigne e da situação de Hemwick. Hoje vamos nos aprofundar no achado do cálice e conheceremos os estudiosos de Byrgenwerth, personagens centrais da trama.


Paramos nossa história comentando sobre a aparente busca da Bruxa de Hemwick por itens que tornam possível o ritual para ativar um cálice, e assim abrir o caminho para os labirintos de civilizações passadas. Entretanto, o primeiro cálice que adquirimos no game está na área Old Yharnam.

A tragédia de Old Yharnam

O primeiro a nos falar sobre a importância do lugar e do antigo cálice é nosso próprio “mentor”, Gehrman. Pois bem, resolvemos então achar o local e conseguir por as mãos no artefato.

Na porta que se abre para Old Yharnam lemos o anúncio de que os caçadores não são bem vindos ali. Assim que entramos no local duas coisas chamam a atenção: os muitos focos de fumaça e um homem que se dirige ao nosso personagem pedindo para que o caçador vá embora e deixe aquele lugar em paz.
Old Yharnam e seus focos de fumaça.
Como estamos determinados em desvendar os segredos de Yharnam e por as mãos no cálice, seguimos em frente. O homem, então, diz que precisará nos parar, e uma chuva de tiros rápidos nos alveja. Porque essa pessoa está tão determinada a nos matar? Quem é ele? O que aconteceu com este lugar?

Uma doença do sangue devastou a região, a chamada Ashen Blood Disease. O sangue passado entre as pessoas transmitia uma espécie de veneno (a própria descrição do item antídoto nos indica isso) e existia apenas uma maneira de amenizar os efeitos nas pessoas, não curá-las. Nesse contexto, a Healing Church começa a usar o tratamento de sangue nos infectados. Isso acabou trazendo uma sensação de cura e de que o problema havia sido contornado, apenas aparentemente.

Então, a Lua de Sangue se ergueu. Ainda não é o momento de tratarmos a fundo o que é a Paleblood Moon, mas, por hora, cabe sabermos que sempre que o céu vermelho se levanta, os sangues bestiais tomam conta de seus hospedeiros. Old Yharnam se transformou em um lugar infestado de bestas, e pior, bestas venenosas. E aí entraram os caçadores.
É assim que as bestas eram tratadas em Old Yharnam. Aliás, esse monstro preso é do mesmo tipo que o chefe do lugar: Blood Starved Beast.
A caçada começou na parte antiga de Yharnam, e entre os caçadores estava Djura, o homem que nos ataca com a metralhadora quando pomos os pés no local. Um grupo considerado herege de caçadores, os Powder Kegs, resolveram, então, que não havia mais jeito de segurar a ameaça da cidade. Conhecidos por desenvolver um armamento pesado, inclusive inspirado pelas armas de Cainhurst - um local maldito, eles resolveram limpar a área: Old Yharnam então ardeu em chamas.

O fim dos sonhos de um caçador

Por isso que existem tantos focos de fumaça, por isso que os inimigos de lá tem bandagens, capas e, sobretudo, um medo absurdo de fogo. Eles até titubeiam em te atacar quando você está segurando uma tocha. Tal medida, porém, desagradou Djura, que acabou renengando a posição de caçador.
"A lua vermelha está próxima, e as feras mandam nas ruas. Nós não temos outra opção, a não ser queimar tudo até as cinzas?"
Em uma batalha feroz contra o nobre homem, aprendemos um pouco mais sobre quem ele é. Ele nos diz que “já sonhou” e que não sonha mais. Porém, sua frase mais importante é proferida quando vencemos ele: “não se esqueça, você não está caçando bestas”. Claro que não, estamos caçando pessoas. Pessoas que se transformaram em monstros horrendos e sem consciência.

Djura já foi um caçador guiado por Gehrman. Acredito que Gehrman escolhe apenas alguns caçadores para compartilharem do sonho. Djura era um destes, e se uniu com os Powder Kegs, apenas para depois se horrorizar com tanta violência e desespero. Fique em paz, querido ex-caçador.
Djura, o ex-caçador.
Conseguimos enfim descer até o altar e após vencer o frenético inimigo Blood-Starved Beast (Fera Sedenta de Sangue) colocamos nossas mãos no primeiro cálice, tal qual Gehrman queria. Qual o motivo de tanto sofrimento?
É possível que o caçador Djura não seja hostil com o jogador. É preciso que cheguemos pela área Yhar’Gul, ou seja, vencermos o Darkbeast Paarl em um momento inicial do jogo. Ele acaba conversando com o personagem de maneira amigável, e a luta não é necessária.

O Cálice de Pthumeru 

O que o tal cálice faz? Abre, a partir de um ritual, o caminho para podermos explorar os labirintos de Pthumeru, civilização que antecedeu Yharnam. O povo de Pthumeru entrou em contato com um ser incrível, e conseguiu se utilizar do poder dessa entidade por um bom tempo, deixando-a controlada e, de certa forma, aprisionada.
"Deixe o cálice revelar o túmulo dos deuses"
A entidade, entretanto, conseguiu exercer influência em determinados indivíduos e guiar tal civilização em direção a certos acontecimentos catastróficos. Acredito que esse ser seja Ebrietas, a filha do Kosmos. Mas há chances de ser outro Great One; um que já está morto quando jogamos, ou até mesmo Odeon. Conversaremos disso mais pra frente. É interessante que tenhamos em mente, nesse momento, que a descoberta dessa entidade mudou a história de Pthumeru, e depois de Yharnam. Pois é a partir do conhecimento e do sangue dos Great Ones que a trama se desenvolve.
Os habitantes da Catedral
Existe uma parte segura da Catedral na qual alguns NPCs vão se convidarmos eles no momento certo. Isso geralmente depende de quantos chefes você matou. Até o momento, é possível trazermos para o local uma mulher desconfiada (aquela que fica na porta que tinha um cachorro latindo), o “guardião” do local (envolto em uma capa vermelha) e Arianna, uma prostituta da cidade que será de extrema importância para nossa história.

O segredo da Catedral

Depois de nossas viagens guiadas por Gehrman, chega a hora de nos dirigirmos ao altar da Catedral. Ao chegarmos encontramos uma mulher adorando, agachada e segurando um artefato dourado. Ela (que de acordo com alguns jogadores parece estar grávida) é Vicar Amelia. Provavelmente a última pessoa que sobrou da Igreja da Cura. Em poucos segundos, ela se transforma em uma besta e a batalha se inicia.
Vicar Amelia em frente ao altar.
Amelia é, possivelmente, a última chefe da Healing Church. É a guardiã dos segredos de Laurence, provavelmente seu superior na Igreja, e da senha que pode nos levar até Byrgenwerth.  Quem diabos é Laurence e o que é Byrgenwerth?

Byrgenwerth é um local que abrigou diversos pesquisadores e sábios, os chamados estudiosos (scholars) de Byrgenwerth. Em dado momento, alguns desses estudiosos descobriram uma “verdade antiga”.  Arqueólogos e historiadores, descobriram uma civilização, ou talvez o que restava dela, abaixo de Yharnam. E com essa descoberta, descobriram a “verdade”: existem seres que superam as habilidades e poderes humanos em um grau que até impossibilita que humanos consigam lhes compreender completamente. Mas quem disse que eles não vão tentar?
O artefato adorado por Amelia.
Dentre esses estudiosos, quatro são importantes para a história de Bloodborne: Willem, Laurence, Micolash e Rom. E esse Rom aí, é aquela coisa lá? Sim. Não existem provas de que Rom de fato foi um humano e membro da escola, mas eu estou bastante convencido até o momento de que este é o caso. Existe a possibilidade de um quinto personagem ter feito parte deste grupo: Gehrman. Consideremos que os cinco faziam parte de Byrgenwerth por equanto. É muito importante apontar que todos esses cinco homens seguiram caminhos completamente distintos, e se separaram uns dos outros em algum momento.

A partida de Laurence

Willem é reverenciado como o grande nome na Igreja e um mestre para os membros dela, Laurence se desentendeu com Willem e continuou a frente da Healing Church até o dia em que se transformou em besta e precisou ser morto. Micolash perseguiu os estudos do cosmos e fundou a Escola de Mensis. Rom conseguiu ascender ao status de um Great One, mas com muito custo. E Gehrman acabou encabeçando as fileiras dos matadores da Igreja, e posteriormente desenvolveu as técnicas da caça e se tornou o primeiro dos caçadores. Falaremos bastante dos cinco ainda, mas nos foquemos em Laurence no momento. Vejamos a cena que aparece quando inspecionamos a ossada da besta:

Laurence parece muito próximo de Willem, e sua partida é tomada como uma traição por este último. No que divergiram exatamente? Com a descoberta dos indícios dos Great Ones, os estudiosos resolveram pesquisar a fundo e tentar entrar em contato com essas entidades. Em dado momento suas pesquisas deram resultado a partir da ministração de sangue dos Great Ones. Mas o que aconteceu desagradou Willem.

Rom foi elevado por Willem e seus asseclas à categoria de um Great One infantil, jovem. Mas, foi assumido pelo vácuo, visto que é uma criatura poderosa, mas sem consciência de si e de seus arredores. Enquanto Willem se trancou em Byrgenwerth em frente ao lago, Laurence e os outros resolveram continuar com o tratamento de sangue, que nessa altura já era algo de grande influência em Yharnam, assim como a religião que se fundava em torno disso e das entidades.

Tema o sangue antigo” é a senha, é a frase que Willem e Laurence repetem. Temer, pode ser interpretado tanto no sentido de ter medo apenas, como em um sentido de ser temente, respeitoso, saber qual é seu lugar diante  de uma força superior. O mestre Willem não queria mais saber de mexer com o sangue, mas continuava buscando uma maneira de se comunicar com os Great Ones.

Laurence, por sua vez, acabou vítima da própria pesquisa com sangue e tornou-se uma besta poderosa, por isso teve de ser assassinado. Seu crânio, no entanto, é adorado até hoje na Catedral em meio as estátuas dos poderosos seres, os Great Ones.
O crânio de Laurence.
Ao longo do jogo encontramos ou ouvimos falar de 9 dessas poderosas entidades: Amygdala, Rom, Celestial Emissary, Ebrietas, Mergo’s Wet Nurse, Odeon, Mother Brain, Mergo e Moon Presence. Discutiremos mais pra frente se alguns desses são a mesma entidade ou não (existe a possibilidade, por exemplo, de Moon Presence ser Odeon, ou mesmo Mergo). Hoje, vamos começar a conhecer Amygdala.

Amygdala e a fronteira do pesadelo

Se voltarmos até Hemwick podemos encontrar um sujeito estranho trancado em uma casa que finalmente te dá um item chamado “Tonsil Stone”. Com esta pedra, somos capturados por uma criatura nefasta e acordamos no primeiro andar de uma faculdade.
O item que nos possibilita chegar em Nightmare Frontier.
A faculdade, com pouco espaço para dúvida, é o colégio de Byrgenwerth. Vejamos a descrição de um item:
"Hoje, o prédio de aulas está a deriva no pesadelo, mas já foi um lugar de reflexão, no qual estudiosos aprendiam história e arqueologia. Talvez ainda seja, já que os estudantes parecem esperar o retorno de seu professor"
Este já foi um espaço real de estudo, mas agora está a deriva dentro de um pesadelo. Assim que saimos do prédio, chegamos em Nightmare Frontier, o domínio de Amygdala, um Great One que vive neste plano, e que várias pessoas tentaram se comunicar. Do ponto de vista biológico, as amídalas cerebrais são uma parte de nosso cérebro ligado à sexualidade e às emoções, sobretudo o medo e a agressividade. Se tivermos 40 pontos ou mais de Insight podemos ver as criaturas parecidas com a entidade em Yharnam, demonstrando que conforme mais “conhecimento de loucos” nós temos, mais as fronteiras desses planos se confundem.
Se tivermos mais de 40 pontos de Insight/Discernimento, podemos ver essas criaturas em Yharnam.
O texto já está ficando muito grande e na semana que vem retomaremos daqui. Falaremos dos três planos que compõe o jogo (sonho do caçador, pesadelo e Yharnam), dos Great Ones, do sistema de Insight e Frenesi, conheceremos mais Willem, Rom e Gehrman, e adentraremos o esquecido castelo de Cainhurst. Aguardo vocês no próximo sábado, naquela que será a penúltima parte de nossa série especial (espero).
Não deixe de comentar, fazer perguntas, ou mesmo debater meu ponto de vista. A ideia do texto é, também, gerar debate e discussão acerca da história do jogo.




Capa: Victor Pereira
Pedro Vicente é um homem sem qualidades. Para se esquecer das décadas de fracassos de sua vida real, resolveu passar parte do seu dia jogando. Iniciado nos games por Adventures e JRPGs, hoje em dia joga de tudo. Gosta muito de escrever sobre jogos, mas só dá nota 10 para games em que você pode dar Suplex em um trem.

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